Comunidade N.S. da Glória - Cabiúna
Os primeiros moradores do bairro Cabiúna e das regiões vizinhas surgiram a partir de 1900, instalando-se principalmente próximo aos rios, que eram fundamentais para o sustento das famílias. Naquela época, o acesso à água representava um grande desafio, sendo obtida por meio de poços, riachos e minas, tanto para o consumo doméstico quanto para beber.
A vida no bairro era marcada por atividades de subsistência, com destaque para a agricultura familiar e pequenas criações de gado, que constituíam a base da economia local. Com o tempo, novas famílias chegaram à região, fortalecendo a comunidade. Moradores de bairros vizinhos, como da lagoa, Barreiro, Douradinho, Mosquito e Formiga, participaram ativamente da vida comunitária, especialmente nos movimentos religiosos e esportivos. Voluntários de cidades próximas, como Paraguaçu Paulista, Roseta, Conceição de Monte Alegre e Maracaí, também colaboraram em momentos de necessidade.
A educação sempre teve papel central na vida da comunidade. A Escolinha da Cabiúna tornou-se um ponto de encontro, não apenas para o aprendizado formal, mas também para atividades comunitárias. Antes da escola formal, as crianças estudavam em uma escolinha localizada no Paulo Baiantes. Professores de destaque, como Sr. Mário, Sr. Jaime, Dona Flora, Dona Odila e Dona Aparecida, dedicavam-se ao ensino mesmo com recursos limitados, sem energia elétrica e utilizando lampiões a gás para iluminação. Além das aulas, a escola servia de espaço para encontros comunitários e práticas esportivas, como o futebol.
O esporte, sobretudo o futebol, teve papel importante na integração social da comunidade, atraindo participantes de bairros vizinhos. Destacam-se como incentivadores e participantes ativos Sr. Júlio de Almeida Ramos e Antônio de Almeida Ramos. As quermesses, muitas vezes realizadas em conjunto com torneios de futebol, atraíam grande público aos sábados e domingos, consolidando-se como tradição local.
A formação religiosa também foi um pilar da vida comunitária. A catequese para crianças ocorria nas casas dos moradores e na escolinha, conduzida pelos primeiros catequistas Sra. Carmelita Mendes, Sr. Antônio Valentim e Sr. Francisco Martim da Rocha. Ao longo dos anos, diversos sacerdotes passaram pela comunidade, entre eles Padre José Lima de Freitas, Padre Osório, Padre Geraldo, Padre Sérgio (atual Dom Sérgio), Padre Sebastião, Frei Zezinho, Frei Luiz, Frei Ramon e Frei José. Os encontros de catequese e as reuniões religiosas reforçavam os laços entre os moradores, incentivando a participação e o engajamento comunitário.
A vida pastoral da comunidade foi marcada por importantes eventos e iniciativas. Campanhas de Natal e da Fraternidade foram organizadas com apoio do Padre Osório e de moradores como Sr. Ângelo Brás Paião. Nos anos 1980, a criação da SEBS (Comunidade Eclesial de Base) e a participação ativa dos grupos de jovens fortaleceram ainda mais a comunidade. Diversos cargos ministeriais e pastorais foram instituídos, incluindo coordenadores, ministros da Eucaristia e da Palavra, agentes do batismo, do dízimo, de cânticos, liturgia, saúde e da juventude.
As quermesses, consolidando-se como tradição, eram organizadas por comissões de moradores com o objetivo de angariar recursos e promover confraternização. Além delas, as missas sertanejas incentivavam a participação comunitária, reunindo famílias em celebrações de fé. Momentos marcantes da comunidade incluíam as coroações anuais de Nossa Senhora, envolvendo crianças e fiéis em atos de devoção, bem como celebrações de sacramentos, como batizados, casamentos e Crisma, fortalecendo a formação religiosa e a identidade do bairro. Assim, ao longo das décadas, a comunidade do bairro Cabiúna e circunvizinhanças construiu uma história marcada pela união, solidariedade, fé e tradição, consolidando-se como referência de convivência, educação, esporte e devoção religiosa na região.
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